Building Information Modeling (BIM) é o nome dado a um determinado PROCESSO DE CRIAÇÃO e GESTÃO das características físicas e funcionamento de um empreendimento, usando sistemas de representação digital. As informações envolvidas abrangem: geometria, relações espaciais, informações geográficas, as quantidades e as propriedades construtivas de componentes ou detalhes dos fabricantes. BIM pode ser utilizado para demonstrar todo o ciclo de vida da construção, incluindo os processos construtivos e fases de instalação.

O exemplo mais antigo documentado sobre o conceito BIM foi um protótipo de trabalho, o “Building Description System”, publicado no extingo Jornal AIA por Charles M. Chuck Eastman, nesta época, na Universidade de Carnegie – Mellon, 1975. O trabalho de Chuck inclui:

”… definir elementos de forma interativa… derivando seções, planos isométricos ou perspectivas de uma mesma descrição de elementos. Qualquer mudança no arranjo teria que ser feita apenas uma vez para todos os desenhos futuros. Todos os desenhos derivados da mesma disposição de elementos seriam automaticamente consistentes… qualquer tipo de análise quantitativa poderia se ligada diretamente à descrição… estimativas de custos ou quantidades de material poderiam ser facilmente geradas… fornecendo um único banco de dados integrado para análises visuais e quantitativas… verificação de códigos de edificações automatizando na prefeitura ou no escritório do arquiteto. Empreiteiras de grandes projetos podem achar esta representação vantajosa para a programação e para pedido de materiais.”

Esta metodologia de trabalho já discutida desde 1970, em aplicações de negócio e principalmente no Brasil ainda são novidades.

Ainda é um pouco difícil retirar da definição do BIM todo poder revolucionário aplicável a modelos de construção. Building representa construção, mas durante muito tempo entendeu-se como representação de construção de edifício, o que é um erro, pois engloba todo o tipo de construção, como também todo o ciclo de vida, todas as informações e também considera o modelo de negócio envolvido nesta construção.

O BIM tem muitas vantagens:

A Visualização 3D: Como seres humanos, a melhor maneira de entendimento de um projeto é a sua visualização e portanto esta é uma das principais vantagens no uso do BIM que é a visualização do projeto;

Integração com documentos: O conceito BIM trás integração do modelo em 3D com documentos, cortes, fachadas e plantas. Quando algo é alterado no modelo 3D, as documentações são prontamente ajustadas;

Componentes: A grande diferença em relação ao CAD, é que no CAD os projetos eram desenhados digitalmente como entidades geométricas. No BIM os componentes são montados, parametrizados dentro do modelo digital. Assim é possível contabilizar tudo o que gira em torno do componente;

Representação diferenciada: A partir do uso de componentes a apresentação ao cliente é muito diferenciada, causando um grande impacto e hoje em dia muito mais que apresentação técnica, é necessária uma apresentação para deixar o cliente entusiasmado com a aprovação de um orçamento;

Visualização de conflitos: Com o BIM é possível analisar conflito entre diversos componentes de um projeto, como projeto de arquitetura, projeto de estrutura, projeto elétrico, hidráulico, análise de energética e diversas outras especialidades.

Todas as informações nas representações partem dos componentes paramétricos. Os componentes paramétricos, (ou blocos programados) fazem a relação entre as peças ou partes da estrutura. Quando alguma informação é alterada todo o restante da estrutura também é modificada.

Alguns exemplos do uso do BIM:

1. A Guarda Costeira Americana gerencia mais de 10 mil posto de dados por edifício. Em 8 mil edifícios gerenciados conseguiu reduzir de 9.166 horas para 183 horas.

2. Hoje as licitações públicas (AGU, TCU, CGU) por pregão eletrônico, recomendam o uso de BIM;

3. O Banco do Brasil requisita BIM nos seus pedidos de orçamentos. Por exemplo para o projeto dos 270 novos pequenos aeroportos brasileiros;

 

Cleandro Nilson – CEO Gabster
Palestra sobre BIM na UPF – Universidade de Passo Fundo

No Brasil algumas ações vem sendo desenvolvidas referente a estruturação legal e normativa, na academia, no corpo técnico, na área pública e nas empresas:

  • Caderno de Apresentação de Projetos em BIM de Santa Catarina – procedimentos adotados pelo Comitê de Obras e Serviços que deverão ser utilizados pelos prestadores de serviços ao Estado de SC para a apresentação de projetos em BIM;
  • Guia ASBEA de boas práticas em BIM,
  • CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) – elaborou uma coletânea de Implementação do BIM para Construtoras e Incorporadoras;
  • ABNT por meio de uma comissão especial de estudo voltada ao BIM, já elaborou três normas referentes ao sistema de classificação.

A adoção do BIM em todos os setores que envolvem a construção, produção e serviços é cada vez maior. BIM não é software mais fique atento aos softwares compatíveis com o padrão, o Sketchup é um deles além do Revit e SolidWorks.

Assista ao vídeo e conheça mais sobre esse tema. (Palestra realizada em 29 de out de 2015, na TILad)