Para uma marcenaria, a definição do sistema construtivo dos móveis merece muita atenção, é uma análise estratégica. O sistema construtivo é a identidade da marcenaria, define a estrutura do móvel, a composição, as matérias primas a serem utilizadas, os sistemas de fixação, medidas máximas e mínimas para cada peça, entre outros atributos (Veja mais no artigo “Diferenças entre Método e Sistema Construtivo“).

Ao definir o sistema construtivo, a marcenaria dá o primeiro passo no sentido da melhoria da qualidade. Quando a marcenaria estabelece o padrão da engenharia dos produtos, estabelece os valores para as variáveis e atributos que identificam como o produto é reconhecido no mercado.

Para definir o sistema construtivo, a marcenaria deve considerar os 8 elementos da qualidade de produto, como:

1. Características operacionais principais:
Todo produto deve apresentar bom desempenho relacionado às suas características. No caso, ele deve atender ao seu principal objetivo. Em um paneleiro devem caber panelas, em um armário corporativo deve-se caber os documentos e assim por diante. Parece óbvio, mas quantas vezes já nos deparamos com ambientes nem um pouco funcionais? 

2. Características operacionais adicionais:
Complementam o produto, tornando-o mais atrativo ou facilitando sua utilização. Tratam-se de itens que irão facilitar a sua utilização, como a utilização de dispositivos de fecho-toque, por exemplo, que tornam o simples ato de abrir e fechar portas mais prático de ser realizado pelo cliente. Uma outro exemplos é o uso de corrediças e dobradiças com amortecimento para gavetas e portas.

3. Confiabilidade:
É a probabilidade de que o produto não vai apresentar falhas durante um determinado período de tempo. Neste caso, definido um tempo de vida útil, o produto deverá ser confiável considerando as mesmas características físicas para aquilo que foi projetado. Um exemplo, pode ser o de armários que não deveriam apresentar deformação após um tempo de uso sofrendo a carga de força para o que foram projetados. 

4. Conformidade:
É a adequação às normas e especificações definidas na elaboração do projeto. 
Produzir um móvel de acordo com o projeto passado para o cliente, mas que também segue os padrões de produção e qualidade da marcenaria. O que é apresentado em 3D ao cliente é uma cópia fiel do que será produzido. Para instalações hospitalares o atendimento das normas técnicas específicas.

5. Durabilidade:
Está relacionada com o tempo de duração do produto até a sua deterioração física. Utilizar materiais de qualidade, buscando maior resistência e conservação dos ambientes. Por exemplo a utilização de materiais com proteção contra umidade em ambientes úmidos.

6. Assistência técnica:
Está relacionada à maneira de como o cliente e o produto são tratados no momento de um reparo. Por exemplo, você possui um sistema para rastreabilidade das peças? No caso de assistência, consegue produzir uma peça rapidamente, sem precisar desenvolver um novo projeto, uma explosão manual da peça? O atendimento ao cliente é rápido ou precisa de visita, análise do problema, apresentação de solução… deixando o cliente no aguardo por vários dias?

7. Estética:
O produto deverá ser bonito (bem apresentável). Pensar que além de produzir um ambiente funcional e de boa qualidade, ater-se a detalhes que o tornam mais bonito aos olhos do cliente e, também, mais diferente e único frente aos concorrentes.

8. Qualidade percebida:
Está associada a aspectos tangíveis e intangíveis como marca, imagem, propaganda. Isso se reflete quando, por exemplo, você utiliza marcas de referência da matéria prima, presentes na mídia e conhecidas pelos clientes. 

A partir dos elementos de qualidade do produto, é possível obter uma base para estruturar o sistema construtivo da marcenaria, definindo as melhores variáveis e atributos para a construção dos móveis e ambientes. Deve-se pensar em todas as características e opções que podem influenciar a criação dos produtos, para assim definir um sistema padronizado.

Como falamos anteriormente em nossos posts, criar um Sistema Construtivo não é difícil. Muitas vezes ele já é feito de forma informal, praticado pelas marcenarias no seu dia-a-dia. Cada empresa tem as suas definições para deixar o móvel com a cara da marcenaria, mas estas só serão seguidas se esses valores são passados a todos os envolvidos. Algumas marcenarias criam o “manual do seu móvel” ou passam essas informações por meio de treinamentos, etc. A Gabster auxilia as marcenarias no seu processo de implantação, ao ver qual a sua identidade e transferir essas informações para um sistema construtivo, que será seguido por todos.

Iniciamos com alguns exemplos bem simples que estão também relacionados ao tipos de equipamentos que a empresa possui no chão de fábrica. Sobre dispositivos de montagem, auxiliamos na escolha de quais serão utilizados, tamanhos e onde serão aplicados:

Sobre a laminação ajudamos a definir, de acordo com os diferentes tipos de armários, as posições que serão aplicadas as fitas:

Sobre cores e espessuras, ajudamos a definir uma estratégia sobre as tendências de cores, as espessuras ou bitolas ideais em cada conjunto de componentes, considerando a estratégia do negócio da marcenaria, o publico, a forma de comercialização, os fornecedores e preços encontrados.

Neste caso, dependendo do mercado a ser atendido, é importante trabalhar com linhas fixas de acabamentos para conseguir reduzir a margem de retalhos e facilitar o processo de compra e corte em lotes de produção:

Outros questionamentos ainda podemos deixar para você, que fabrica móveis sob medida:

Sobre as definições relativas a base passante ou lateral passante: deve-se pensar no que seria melhor para a estrutura, durabilidade e estética do seu ambiente, também pensando para quais móveis melhor se aplicaria. Por exemplo: se formos pensar nos conceitos de durabilidade, o que tornaria a estrutura mais “firme”? Ter uma base passante ou uma lateral passante? O importante é ater-se as principais vantagens de utilizar cada modelo e em quais móveis seriam aplicados, como: balcões, aéreos, roupeiros, etc. Agora, se formos pensar também no conceito de estética, dependendo do método de fixação/união utilizado, este pode ficar visível. Para marcenarias que utilizam de fixação minifix ou VB, este mesmo conceito de estética fica vago. Aconselha-se então a definir qual o melhor modelo a ser utilizado com base em conceitos relativos a sua estrutura e durabilidade.

Definições relativas à travessas: Busca-se criar definições relativas a suas posições, espessuras e se estas serão aplicadas de forma horizontal ou vertical. Se formos pensar em móveis suspensos, por exemplo, e visando maior resistência, muitas marcenarias utilizam de uma peça extra atrás do móvel para uma melhor fixação na hora da montagem. Mas, e se a travessa fosse sempre fabricada atrás do fundo em componentes como estes, seria necessária a inclusão dessa peça extra? Conseguimos manter os conceitos de durabilidade, suas características operacionais frente aos montadores e diminuiremos a necessidade de futuras assistênciasAgora pensando em componentes com cubas, se estes fossem produzidos com a travessa traseira sempre posicionada na vertical, não diminuiria ou eliminaria a necessidade de recortes para encaixar as cubas ou fogões? Ao mesmo tempo, se pensarmos no conceito de estética, se utilizada a travessa traseira posicionada na horizontal a fixação do fundo nesta travessa pode ser feita por trás do móvel, não apresentado marcas de parafuso no interior do móvel e reduzindo o número de furos internos visíveis. Qual seria a melhor opção para definição do sistema construtivo?

Definições de sistema de união: Esta definição está intimamente ligada as outras acima. Definindo-se como serão estruturados os móveis, preocupa-se com quais métodos de fixação, quais ferragens serão utilizadas, visando a estrutura do móvel – pensando no conceito de durabilidade e qualidade – e como estas poderão ser visíveis ou não – pensando no conceito de estética e conformidade. Por exemplo, marcenarias que trabalham com fixação externa (parafuso), sempre buscam trabalhar com um sistema de união em que estes não fiquem visíveis, preocupados assim com a estética que o móvel terá.

Enfim, a organização de uma marcenaria inicia na definição do sistema construtivo padrão. Neste artigo procuramos apresentar como a conscientização desta tarefa dentro da marcenaria pode acarretar mudanças expressivas. Ter um padrão no sistema construtivo além de trazer mais qualidade, permite definir claramente uma identidade para a marcenaria sem que isso acarrete na modularização dos móveis.