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Soluções Planejadas, de Folha de Papel à Marcenaria 4.0 em 18 dias

Escrito por Cleandro Nilson | Apr 1, 2026 5:00:00 PM

Existe uma equação silenciosa que destrói marcenarias promissoras: crescimento de demanda + processo manual = caos.

Fernando e Luana Fraga viveram essa equação na pele. E decidiram resolvê-la antes que ela os resolvesse.

A história deles foi contada ao vivo no estande da Club&Casa Design na Expo Revestir 2026, em entrevista com Cleandro Nilson, CEO da Gabster. O que veio à tona naquela conversa não é só um caso de sucesso de software — é uma aula sobre o que realmente sustenta o crescimento de uma empresa.

A História: De Móveis Escolares ao Residencial de Alto Padrão

A Soluções Planejadas nasceu em 2008 pelas mãos do pai de Fernando, fabricando e reparando móveis para escolas públicas em São Paulo. Um negócio humilde, construído no olho e na caneta: projetos rascunhados em folhas de papel, orçamentos dependentes da boa vontade de alguma professora de artes que soubesse desenhar melhor do que ele.

Em 2019, Fernando e Luana — ambos projetistas técnicos formados — entraram na empresa para ajudar o pai. Meses depois, a pandemia chegou. E com ela, o fenômeno que ninguém previu: a marcenaria não parou. Explodiu.

A demanda cresceu tanto que o pai não conseguia mais dar conta. Era papel e improviso num volume que o sistema não suportava.

Em 2022, com o pai sofrendo as consequências de um acidente de moto e o negócio pronto para voar, Fernando e Luana tomaram uma decisão que poucos filhos teriam coragem de tomar: aposentaram o pai — pagando o salário dele, realizando o sonho da fazenda — e assumiram a empresa.

De 2022 a 2025, cresceram com o mercado escolar. Com o esfriamento natural desse segmento, pivotaram para o residencial de alto padrão, abrindo a própria loja e passando a atender arquitetos. Foi nesse momento que a equação voltou a cobrar: processo novo, volume novo, sistema velho.

Os Problemas: Quando o Talento Não É Suficiente

Fernando é direto ao descrever o cenário pré-Gabster:

"A gente fazia projeto, fazia lista de plano de corte, tudo com softwares, beleza, mas tudo manual."

Isso se traduzia em 3 a 4 horas por orçamento — sem interrupções. Na prática, com o cotidiano de uma fábrica, esse número facilmente dobrava.

Luana, que operava o software anterior, reconhece a resistência que sentia: "Isso aqui funciona, então vamos continuar assim." Uma frase que qualquer gestor já disse pelo menos uma vez. E que quase sempre adia o inevitável.

Além do tempo perdido no comercial, o processo criava um gargalo de conhecimento: tudo dependia das mãos e da cabeça dos dois fundadores. Contratar alguém novo significava transferir um processo não documentado, não padronizado e impossível de auditar.

Em 30 de junho de 2025, uma notícia mudou a urgência de tudo: Fernando descobriu que seria pai.

"Eu olho assim pro nosso sistema e falo: não dá. Se a gente continuar desse jeito, vai virar uma bola, vai se perder todo mundo."

A Decisão: Não Estava Comprando um Software

Fernando pesquisou ferramentas. Olhou SketchUp com plugins alternativos. Conversou com diferentes fornecedores. E quando chegou à Gabster, o que o fez decidir não foi funcionalidade — foi posicionamento.

"Eu falo pra Luana: não é o software. A gente não tá comprando um software, a gente tá comprando uma assessoria. Eu sou um excelente projetista, não sou um excelente gestor. E aqui eles vão nos ensinar a ser gestores."

Essa distinção é fundamental. Muitas marcenarias compram ferramentas esperando que a ferramenta resolva o problema. Fernando entendeu, antes mesmo de assinar o contrato, que a ferramenta é o veículo — o método é o motor.

A assinatura aconteceu em 20 de dezembro de 2025. O onboarding, no dia 21.

A Jornada: 18 Dias para Implantar o que Levaria 30

O prazo oficial dado pela Gabster para uma implementação completa é de 30 dias. Fernando ouviu isso, calculou sua janela real — recesso de final de ano, festas, esposa grávida — e fez uma promessa à consultora Nati:

"Nati, estou disposto a estudar. Nem que eu tenha que vir de madrugada."

Não foram madrugadas. Foi algo mais sustentável e mais poderoso: disciplina de horário.

Fernando é, por natureza, uma pessoa diurna. Dorme às 20h, acorda antes das 5h. Passou a usar a janela das 5h às 8h — antes da fábrica abrir — como seu horário sagrado de estudo. Na fábrica vazia, com a luz do escritório acesa e um café, sem interrupções, sem incêndios do dia.

"Eu não consigo trabalhar e estudar em casa. Ia pra fábrica, ficava lá, tudo apagado, só acendia a luz do escritório e começava ali com as minhas duas horinhas."

O resultado: em 18 dias, o primeiro projeto já estava implantado e montado na casa do cliente. Quando o consultor Cláudio ligou no dia 8 de janeiro para a reunião de acompanhamento da segunda fase, Fernando já estava na fase de preços.

"Pera aí — tô falando com a pessoa certa? Vocês entraram dia 20?"

Os Resultados: A Conta que Todo Empresário Deveria Fazer

Fernando faz o cálculo com clareza cirúrgica:

Antes: 3 a 4 horas por orçamento (sem interrupção).
Depois: O projeto é feito e o orçamento é puxado automaticamente. O tempo comercial foi reduzido em quase 50%.

"Hoje eu consigo contratar operador sem pensar duas vezes. É só fazer o projeto, puxar o preço — tá pronto."

Mas os ganhos vão além do orçamento:

Na produção

O processo que antes era uma folha estática com anotações para o marceneiro passou a ser um modelo 3D completo, acessível via sistema. O marceneiro visualiza tudo antes de cortar a primeira peça.

Na gestão de pessoas

Fernando usa o conteúdo do curso como ferramenta de diagnóstico. Quando um colaborador diz que não sabe fazer algo, ele pergunta sobre uma aula específica do meio do curso. Se o colaborador não sabe responder, ele sabe exatamente onde está o gap de estudo.

"Não preciso gastar meu tempo ensinando colaborador. Está no curso."

Na escalabilidade

Com o processo documentado e o sistema rodando, Fernando já pensa em contratar operadores de projeto sem depender de si mesmo para cada detalhe.

Luana resume o impacto de uma forma que diz tudo:

"Hoje eu nem sei mais mexer no outro software. A cabeça já entrou nesse sistema."

A Tese: Tecnologia, Método e Estudo — Os Três Precisam Andar Juntos

Se há uma lição central nessa história, Cleandro Nilson a formula com precisão durante a conversa:

"Não é só tecnologia. Mais do que ter, você precisa dominar o dado."

Uma ferramenta sem método cria confusão digitalizada. Um método sem ferramenta cria processo manual sofisticado. E os dois sem estudo criam uma caixa-preta que ninguém consegue operar quando o fundador está de férias — ou quando uma filha está chegando ao mundo.

A Soluções Planejadas é prova de que os três precisam caminhar juntos, e que quando caminham, o retorno é desproporcional ao investimento:

  • ~40 horas de estudo investidas na implementação
  • Centenas de horas economizadas no primeiro ano
  • Processo escalável que não depende de um único par de mãos
  • Capacidade comercial ampliada para atender arquitetos em prazos que a concorrência não consegue

Visão de Futuro: 2030 com Galpão Próprio e Processos Escritos

Fernando e Luana não ficam na operação. Eles planejam. O exercício de visão que fizeram — olhando de 2030 para trás, não de hoje para frente — resultou em uma meta clara: galpão próprio, fábrica completamente estruturada e todos os processos documentados.

"Eu não quero falar mais um 'a' lá dentro da empresa porque já vai estar escrito num papel."

Para Cleandro, a trajetória deles já aponta além disso:

"Vocês estão preenchendo todos os requisitos para ser ótimos gestores. Vão estar muito mais longe do que isso — e em menos tempo do que imaginam."

O Que Você Pode Levar Dessa História

Se você está avaliando digitalizar sua marcenaria — ou se já tem um software e sente que ele "não funciona como deveria" — a experiência de Fernando e Luana entrega três perguntas incômodas:

  1. Você está comprando tecnologia ou está comprando método? A diferença entre os dois é o que separa quem transforma de quem acumula assinatura.
  2. Você tem um horário sagrado de estudo? Não um bloco vago de "quando der". Um horário real, fora do incêndio do dia a dia.
  3. Quando algo não funciona no seu processo, você pergunta por quê — ou culpa a ferramenta? A maioria das falhas de implementação é falta de domínio, não falta de recurso.

A transformação da Soluções Planejadas não aconteceu em 18 dias por acidente. Aconteceu porque Fernando entendeu que o investimento em educação tem o melhor ROI que um empresário pode fazer — e foi lá buscar esse retorno às 5 da manhã, com o café passando e a fábrica no escuro.

Este conteúdo é baseado em entrevista realizada por Cleandro Nilson, CEO da Gabster, com Fernando Fraga e Luana Fraga, da Soluções Planejadas, durante a Expo Revestir 2026, no estande da Club&Casa Design. Assista ao conteúdo na íntegra no YouTube do Club&Casa Design.