Existe uma equação silenciosa que destrói marcenarias promissoras: crescimento de demanda + processo manual = caos.
Fernando e Luana Fraga viveram essa equação na pele. E decidiram resolvê-la antes que ela os resolvesse.
A história deles foi contada ao vivo no estande da Club&Casa Design na Expo Revestir 2026, em entrevista com Cleandro Nilson, CEO da Gabster. O que veio à tona naquela conversa não é só um caso de sucesso de software — é uma aula sobre o que realmente sustenta o crescimento de uma empresa.
A História: De Móveis Escolares ao Residencial de Alto Padrão
A Soluções Planejadas nasceu em 2008 pelas mãos do pai de Fernando, fabricando e reparando móveis para escolas públicas em São Paulo. Um negócio humilde, construído no olho e na caneta: projetos rascunhados em folhas de papel, orçamentos dependentes da boa vontade de alguma professora de artes que soubesse desenhar melhor do que ele.
Em 2019, Fernando e Luana — ambos projetistas técnicos formados — entraram na empresa para ajudar o pai. Meses depois, a pandemia chegou. E com ela, o fenômeno que ninguém previu: a marcenaria não parou. Explodiu.
A demanda cresceu tanto que o pai não conseguia mais dar conta. Era papel e improviso num volume que o sistema não suportava.
Em 2022, com o pai sofrendo as consequências de um acidente de moto e o negócio pronto para voar, Fernando e Luana tomaram uma decisão que poucos filhos teriam coragem de tomar: aposentaram o pai — pagando o salário dele, realizando o sonho da fazenda — e assumiram a empresa.
De 2022 a 2025, cresceram com o mercado escolar. Com o esfriamento natural desse segmento, pivotaram para o residencial de alto padrão, abrindo a própria loja e passando a atender arquitetos. Foi nesse momento que a equação voltou a cobrar: processo novo, volume novo, sistema velho.
Os Problemas: Quando o Talento Não É Suficiente
Fernando é direto ao descrever o cenário pré-Gabster:
"A gente fazia projeto, fazia lista de plano de corte, tudo com softwares, beleza, mas tudo manual."
Isso se traduzia em 3 a 4 horas por orçamento — sem interrupções. Na prática, com o cotidiano de uma fábrica, esse número facilmente dobrava.
Luana, que operava o software anterior, reconhece a resistência que sentia: "Isso aqui funciona, então vamos continuar assim." Uma frase que qualquer gestor já disse pelo menos uma vez. E que quase sempre adia o inevitável.
Além do tempo perdido no comercial, o processo criava um gargalo de conhecimento: tudo dependia das mãos e da cabeça dos dois fundadores. Contratar alguém novo significava transferir um processo não documentado, não padronizado e impossível de auditar.
Em 30 de junho de 2025, uma notícia mudou a urgência de tudo: Fernando descobriu que seria pai.
"Eu olho assim pro nosso sistema e falo: não dá. Se a gente continuar desse jeito, vai virar uma bola, vai se perder todo mundo."
A Decisão: Não Estava Comprando um Software
Fernando pesquisou ferramentas. Olhou SketchUp com plugins alternativos. Conversou com diferentes fornecedores. E quando chegou à Gabster, o que o fez decidir não foi funcionalidade — foi posicionamento.
"Eu falo pra Luana: não é o software. A gente não tá comprando um software, a gente tá comprando uma assessoria. Eu sou um excelente projetista, não sou um excelente gestor. E aqui eles vão nos ensinar a ser gestores."
Essa distinção é fundamental. Muitas marcenarias compram ferramentas esperando que a ferramenta resolva o problema. Fernando entendeu, antes mesmo de assinar o contrato, que a ferramenta é o veículo — o método é o motor.
A assinatura aconteceu em 20 de dezembro de 2025. O onboarding, no dia 21.
A Jornada: 18 Dias para Implantar o que Levaria 30
O prazo oficial dado pela Gabster para uma implementação completa é de 30 dias. Fernando ouviu isso, calculou sua janela real — recesso de final de ano, festas, esposa grávida — e fez uma promessa à consultora Nati:
"Nati, estou disposto a estudar. Nem que eu tenha que vir de madrugada."
Não foram madrugadas. Foi algo mais sustentável e mais poderoso: disciplina de horário.
Fernando é, por natureza, uma pessoa diurna. Dorme às 20h, acorda antes das 5h. Passou a usar a janela das 5h às 8h — antes da fábrica abrir — como seu horário sagrado de estudo. Na fábrica vazia, com a luz do escritório acesa e um café, sem interrupções, sem incêndios do dia.
"Eu não consigo trabalhar e estudar em casa. Ia pra fábrica, ficava lá, tudo apagado, só acendia a luz do escritório e começava ali com as minhas duas horinhas."
O resultado: em 18 dias, o primeiro projeto já estava implantado e montado na casa do cliente. Quando o consultor Cláudio ligou no dia 8 de janeiro para a reunião de acompanhamento da segunda fase, Fernando já estava na fase de preços.
"Pera aí — tô falando com a pessoa certa? Vocês entraram dia 20?"
Os Resultados: A Conta que Todo Empresário Deveria Fazer
Fernando faz o cálculo com clareza cirúrgica:
Antes: 3 a 4 horas por orçamento (sem interrupção).
Depois: O projeto é feito e o orçamento é puxado automaticamente. O tempo comercial foi reduzido em quase 50%.
"Hoje eu consigo contratar operador sem pensar duas vezes. É só fazer o projeto, puxar o preço — tá pronto."
Mas os ganhos vão além do orçamento:
Na produção
O processo que antes era uma folha estática com anotações para o marceneiro passou a ser um modelo 3D completo, acessível via sistema. O marceneiro visualiza tudo antes de cortar a primeira peça.
Na gestão de pessoas
Fernando usa o conteúdo do curso como ferramenta de diagnóstico. Quando um colaborador diz que não sabe fazer algo, ele pergunta sobre uma aula específica do meio do curso. Se o colaborador não sabe responder, ele sabe exatamente onde está o gap de estudo.
"Não preciso gastar meu tempo ensinando colaborador. Está no curso."
Na escalabilidade
Com o processo documentado e o sistema rodando, Fernando já pensa em contratar operadores de projeto sem depender de si mesmo para cada detalhe.
Luana resume o impacto de uma forma que diz tudo:
"Hoje eu nem sei mais mexer no outro software. A cabeça já entrou nesse sistema."
A Tese: Tecnologia, Método e Estudo — Os Três Precisam Andar Juntos
Se há uma lição central nessa história, Cleandro Nilson a formula com precisão durante a conversa:
"Não é só tecnologia. Mais do que ter, você precisa dominar o dado."
Uma ferramenta sem método cria confusão digitalizada. Um método sem ferramenta cria processo manual sofisticado. E os dois sem estudo criam uma caixa-preta que ninguém consegue operar quando o fundador está de férias — ou quando uma filha está chegando ao mundo.
A Soluções Planejadas é prova de que os três precisam caminhar juntos, e que quando caminham, o retorno é desproporcional ao investimento:
- ~40 horas de estudo investidas na implementação
- Centenas de horas economizadas no primeiro ano
- Processo escalável que não depende de um único par de mãos
- Capacidade comercial ampliada para atender arquitetos em prazos que a concorrência não consegue
Visão de Futuro: 2030 com Galpão Próprio e Processos Escritos
Fernando e Luana não ficam na operação. Eles planejam. O exercício de visão que fizeram — olhando de 2030 para trás, não de hoje para frente — resultou em uma meta clara: galpão próprio, fábrica completamente estruturada e todos os processos documentados.
"Eu não quero falar mais um 'a' lá dentro da empresa porque já vai estar escrito num papel."
Para Cleandro, a trajetória deles já aponta além disso:
"Vocês estão preenchendo todos os requisitos para ser ótimos gestores. Vão estar muito mais longe do que isso — e em menos tempo do que imaginam."
O Que Você Pode Levar Dessa História
Se você está avaliando digitalizar sua marcenaria — ou se já tem um software e sente que ele "não funciona como deveria" — a experiência de Fernando e Luana entrega três perguntas incômodas:
- Você está comprando tecnologia ou está comprando método? A diferença entre os dois é o que separa quem transforma de quem acumula assinatura.
- Você tem um horário sagrado de estudo? Não um bloco vago de "quando der". Um horário real, fora do incêndio do dia a dia.
- Quando algo não funciona no seu processo, você pergunta por quê — ou culpa a ferramenta? A maioria das falhas de implementação é falta de domínio, não falta de recurso.
A transformação da Soluções Planejadas não aconteceu em 18 dias por acidente. Aconteceu porque Fernando entendeu que o investimento em educação tem o melhor ROI que um empresário pode fazer — e foi lá buscar esse retorno às 5 da manhã, com o café passando e a fábrica no escuro.
